sábado, 30 de junho de 2012

Mensagem aos Povos Latino Americanos, da Ponte da Amizade


 


Hoje é um dia histórico!

Estamos todos aqui na Ponte da Amizade contra o golpe no Paraguai.

Os golpistas usam do cinismo para argumentar sobre o golpe no Paraguai. Ela sabe que é um golpe, mas age como se fosse um ato constitucional, legal e legítimo.

Para nós isso não pode ser negociável: É um golpe de Estado! É completamente inconstitucional! Não foi um ato legal! Não é legítimo! É um verdadeiro golpe de Estado e precisa ser combatido! O Paraguai se tornou um Estado ilegal, fruto de um golpe de Estado, e assim deve ter tratado pela comunidade no Cone Sul, da América Latina e do mundo.

Nós não aceitaremos isso! Esta luta não é apenas do povo paraguaio, mas de todo continente!

Nosso continente já sofreu demais com as ditaduras sangrentas. Eles não podem comprar nossa dignidade e nem nos calar.

Viemos aqui trazer uma mensagem para toda a América Latina para tremer até os Andes!

Os golpistas não passaram! Deixaremos nosso sangue na luta, mas o golpistas não passaram!

É um momento em que toda a América Latina deve se mobilizar defesa do povo paraguaio.

Apenas um grande movimento de massas em todo continente pode barrar os golpistas!

É preciso acabar com os velhos hábitos golpistas, a velha cultura golpista, as velhas idéias golpistas e os velhos costumes golpistas!

Apenas uma verdadeira revolução cultural pode colocar os golpistas nos livros de história.  

Vamos caminhando! Vamos construindo o caminho de apenas uma estrela livre, uma única América Latina, unida e integrada pelos povos! 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Depois do golpe no Paraguai: por uma verdadeira Revolução Cultural na América do Sul



            Um espectro ronda novamente a América do Sul: o risco dos golpes de Estados. O golpe desferido contra o governo de Fernando Lugo é um sinal de alerta para as democracias e governos da América do Sul.
Não são golpes de Estado parecidos com aqueles da década de 60 e 70, pois não buscam implementar uma ditadura militar estrito senso. A novidade dos novos golpes de Estado na região são “golpes de Estado democráticos” que, por mais que tenha um conteúdo golpista, são envoltos pelo véu retórico da democracia liberal. Honduras deu início a este novo ciclo, por mais que anteriormente tenham existido outras tentativas na região, como na Bolívia (2008), Equador (2010) e Venezuela (2002). No caso do Paraguai, são grupos conservadores que estão se aproveitando de um evento para desestabilizar o governo, uma espécie de golpe disfarçado de “legalidade democrática”. Como disse Rafael Correa, no Paraguai se quer destituir a Lugo com “formalismo legais”, por mais que existam diversas evidencias que estão rompendo todos os procedimentos possíveis.
Afinal, foi um golpe ou não?
O novo golpista do Paraguai, Federico Franco, convocou neste sábado uma conferência de imprensa na sede do governo em Assunção para negar que houve "golpe" na mudança de poder no país. Ele disse que "no Paraguai não houve quebra da ordem institucional nem golpe, mas sim uma troca de poder ajustada pela Constituição e pelas leis". Isso é o mesmo que diz o fascista Reinaldo Azevedo da Veja. Segundo ele, Lugo “foi destituído de acordo com a Constituição democrática do país [...] “No Paraguai, triunfou a lei. É tão evidente a vinculação de Fernando Lugo com os ditos sem-terra, convertidos em força terrorista, que os dias a mais  para a defesa não fariam diferença no mérito. No máximo, esticariam o tempo do impasse e dariam tempo para a articulação das tentações, estas sim, antidemocráticas que buscariam manter Lugo no poder na base do grito [...]. O melhor que este ex-bispo fazedor de filhos tem a fazer é cair fora sem resistência. O sistema democrático pode sobreviver sem ele”. Golpista é golpista, seja no Brasil, Paraguai, Venezuela, Bolívia, Argentina, Peru, Honduras, México, Equador, Uruguai ou outro país da América.
Já os Estados Unidos, a exemplo de Honduras em 2010, aceitaram o novo governo paraguaio dizendo que “reconhecem o voto do senado paraguaio pelo impeachment do presidente Lugo”, além de pedir “para que todos os paraguaios ajam pacificamente com calma e responsabilidade, dentro do espírito democrático”.
A direita usa do cinismo para argumentar sobre o golpe no Paraguai. Ela sabe que é um golpe, mas age como se fosse um ato constitucional, legal e legítimo. Para a esquerda isso não pode ser negociável: É um golpe de Estado! É completamente inconstitucional! Não foi um ato legal! Não é legítimo! É um verdadeiro golpe de Estado e precisa ser combatido! O Paraguai se tornou um Estado ilegal, fruto de um golpe de Estado, e assim deve ter tratado pela comunidade no Cone Sul, da América Latina e do mundo.
            O golpe de Estado express no Paraguai é muito perigoso. É um precedente para toda a região. A direita está aprendendo a utilizar da “legalidade burocrática” para retirar dos governos progressistas da região. Com esse golpe, somos obrigados a lembrar que os inimigos do povo continuam ativos e que não tem compromisso algum com a democracia na região.   
No Equador em 2010, o que parecia um amotinamento de policiais por razões salariais, assumiu características de um golpe de Estado. Forças policiais ocupação estações de polícia, postos fronteiriços, algumas estradas e o aeroporto de Quito. Quando Correa foi a um dos quartéis policiais para questionar o movimento, foi atingido por bombas de gás lacrimogêneo. Quando foi levado ao hospital, seu carro foi atingido por tiros e o estabelecimento foi cercado por policiais. Depois de horas de conflito, o presidente por resgatado por forças do exército e de um batalhão de elite da polícia. 
No Brasil, durante o primeiro ano do governo Dilma, a direita utilizou uma nova estratégia, buscando impor uma paralisia na máquina governamental através de ataques a ministros e altos funcionários com foco na corrupção.
Na Bolívia um recente motim de policiais se assemelhava a um "cenário de golpe", em declaração feita neste sábado, dia 23. O motim policial começou quando os manifestantes tomaram a sede da polícia de combate a protesto do país e outras oito unidades. Posteriormente, o movimento se alastrou para várias outras unidades do país e centros de comando. Na sexta-feira, um grupo de 300 policiais em greve, vestidos com roupas civis e com os rostos cobertos, atacaram o Centro Nacional de Inteligência, destruindo janelas e atirando móveis, documentos e computadores para fora. Na sequência, 300 manifestantes atiraram pedras e danificaram janelas na sede da polícia nacional. Lideranças de direita e setores da mídia vem estimulando a radicalização da greve para desestabilizar o país.
Enfim, o golpe de Estado no Paraguai é um novo alerta para os governos da região, um momento limite em nossa história. O único modo de agir dentro do espírito democrático é lutar contra o golpe de Estado!
Talvez a principal lição do golpe no Paraguai é a necessidade imperiosa de uma verdadeira Revolução Cultural na América Latina, que vise eliminar os inimigos do povo: os golpistas. Eles estão concentrados nos partidos tradicionais de direita, nos monopólios privados de mídia, no Judiciário, nas milícias e outros setores sociais.
Contra um Estado ilegal, fruto de um golpe, é legítima a criação de milícias populares, um Movimento Latino-Americano pela eliminação dos golpistas. Nosso dever é julgar os golpistas e seus correligionários. É um momento em que toda a América deve se mobilizar defesa do povo paraguaio. É preciso acabar com os velhos hábitos golpistas, a velha cultura golpista, as velhas idéias golpistas e os velhos costumes golpistas. A direita golpista está agonizando, e por isso parte para a ofensiva. Ela ainda tem muita força, mas está ficando sem saída. Os golpistas estão na UTI da história. A esquerda, entretanto, não pode ficar esperando a morte natural dessas bolas de ferro. É preciso desligar a máquina que ainda a mantém viva e preparar a ofensiva antes que ela cometa mais insanidades e mais golpes de Estado. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Alerta Vermelho! Golpe no Paraguai! Os golpistas não Passarão!




Quando fiquei sabendo da situação política no Paraguai durante os últimos dias lembrei de um texto que havia escrito em 2009 chamado “Golpes de Estado Democráticos”. Lá já alertava que um espectro rondava novamente a América Latina: o risco dos golpes de Estados.

Não são golpes de Estado parecidos com aqueles da década de 60 e 70, pois não buscam implementar uma ditadura militar estrito senso. A novidade dos novos golpes de Estado na região são “golpes de Estado democráticos” que, por mais que tenha um conteúdo golpista, são envoltos pelo véu retórico da democracia liberal. Honduras deu início a este novo ciclo, por mais que anteriormente tenham existido outras tentativas na região, como na Bolívia (2008), Equador (2010) e Venezuela (2002).

Lembremos que Fernando Lugo entrou para a história do país em 2008, quando derrotou o Partido Colorado, que controlava a vida dos paraguaios por 61 anos. Desde lá já houveram dezenas tentativas da maioria colocada e oviedista de derrubar o presidente. Agora essa tentativa de golpe pela via de um impeachment é organizada a toda velocidade pelo Congresso, sob a acusação de mau desempenho de suas funções pela morte de 17 pessoas em uma operação de reintegração de posse em uma fazenda do nordeste do país, perto da fronteira com o Brasil.

            Najib Amado, secretário-geral do Partido Comunista Paraguaio, relatou da seguinte forma a situação agora:

“O processo de impeachment foi aprovado de forma acelerada. Isso deixa claro que se trata de um golpe de Estado. Há muita gente chegando do interior para resistir. O governo tem apoio nos setores populares. O golpe não representa nem mesmo a base social dos partidos de direita. Já estão em Assunção representantes do Foro de São Paulo (articulação de partidos de esquerda da América Latina) e logo mais chegam os ministros das Relações Exteriores da Unasul (Brasil, Equador, Bolívia, Colômbia e Uruguai). Os meios de comunicação fazem coro com os golpistas. Ao longo das últimas semanas difundiram notícias alarmistas e deram voz apenas aos parlamentares que tentam derrubar o presidente. Até agora, pelo menos oficialmente, as forças armadas não se pronunciaram. A polícia montou um aparato de segurança em torno do Congresso, mas não há violência nas ruas”.

            Em suma, são grupos conservadores que estão se aproveitando de um evento para desestabilizar o governo, uma espécie de golpe disfarçado de “legalidade democrática”. Essa manobra de setores da direita paraguaia, em especial os grande proprietários de terra do país, estão articulando um golpe branco a toque de caixa. Como disse ontem Evo Morales:

“Este golpe de Estado em gestação contra um presidente democraticamente eleito e apoiado pela maioria do povo é um atentado contra a consciência dos povos e contra os governos que hoje impulsionam profundas transformações em seus países, de forma pacífica [...]. Convoco os povos indígenas e os movimentos sociais da América Latina a se unirem em uma só frente para defender a democracia no Paraguai e ao presidente Lugo”.

O tempo de aparente calmaria está acabando. As próximas horas serão decisivas no futuro do país e da América Latina. Hoje as 13h Lugo fala ao Parlamento que às 17:30 pode decidir pelo impeachment. A resistência popular pode ser a única opção.




terça-feira, 29 de maio de 2012

Dificuldades de construir a unidade numa Greve Geral das Universidades no Brasil




Por Fernando Marcelino 
Ao que tudo parece, agora é para valer! Logo no segundo dia de greve, 17 de maio, cerca de 35 universidades aderiam à greve nacional dos docentes das instituições federais de ensino superior (Ifes). Hoje, quinta feira, dia 23, já aderiram a greve pelo menos 45 das 59 universidades federais ligadas ao Andes. Elas são:
1. CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica) de Minas Gerais
2. FURG (Universidade Federal do Rio Grande)
3. IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais)
4. IFPI (Instituto Federal do Piauí)
5. Instituto Federal e Tecnológico do Sudeste de Minas Gerais
6. UFAC (Universidade Federal do Acre)
7. UFAL (Universidade Federal de Alagoas)
8. UFCG (Universidade Federal de Campina Grande)
9. UFERSA (Universidade Federal do Semi-Árido) – Mossoró
10. UFES (Universidade Federal do Espírito Santo)
11. UFG (Universidade Federal de Goiás) – Campus Catalão
12. UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora)
13. UFLA (Universidade Federal de Lavras)
14. UFAM (Universidade Federal do Amazonas)
15. UFMA (Universidade Federal do Maranhão)
16. UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso)
17. UFMT-RO (Universidade Federal do Mato Grosso / Rondonópolis)
18. UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto)
19. UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará)
20. UFPA (Universidade Federal do Pará /Central)
21. UFPA (Universidade Federal do Pará /Marabá)
22. UFPB (Universidade Federal da Paraíba / Cajazeiras)
23. UFPB (Universidade Federal da Paraíba)
24. UFPB-PATOS (Universidade Federal da Paraíba / Patos)
25. UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)
26. UFPI (Universidade Federal do Piauí)
27. UFPR (Universidade Federal do Paraná)
28. UFRA (Universidade Federal Rural do Amazônia)
29. UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)
30. UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)
31. UFRO (Universidade Federal de Rondônia)
32. UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco)
33. UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
34. UFS (Universidade Federal de Sergipe)
35. UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rey)
36. UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro)
37. UFU (Universidade Federal de Uberlândia)
38. UFV (Universidade Federal de Viçosa)
39. UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri)
40. UnB (Universidade de Brasília)
41. Unifal (Universidade Federal de Alfenas)
42. Unifap (Universidade Federal do Amapá)
43. Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)
44. Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco)
45. UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)
É provável que quando você estiver lendo este texto outras universidades já estarão em greve. A categoria pleiteia carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.
Os professores também querem a valorização e melhoria das condições de trabalho dos docentes nas Universidades e Institutos Federais e atendimento das reivindicações específicas de cada instituição, a partir das pautas elaboradas localmente.
Vale lembrar que esta greve dos professores está umbilicalmente ligada com a greve do ano passado, cujos servidores foram os principais atores.
O baixo salário, as políticas de terceirização e as precárias condições de trabalho estimularam a greve dos servidores das Universidades Federais no final de 2011, um estalo que cujas conseqüências estão se desdobrando até agora. Com uma base renovada e corajosa – fruto da expansão dos concursos públicos recentemente – e muito descontente com os projetos federais de privatização dos Hospitais Universitários, congelamento de salários, implantação da previdência privada e ameaça da PL de demissões do funcionalismo, os servidores buscaram a greve como forma de exigir suas demandas de dignidade.
Neste início de 2012, o indicativo de greve dos servidores e técnicos é dia 11 de junho. O governo não avançou nas negociações e nem cumpriu a promessa de fazer propostas de acordo com as reivindicações. Na greve do ano passado, o governo disse que não negociaria com grevistas, que eles saíram da greve e até agora não receberam nenhuma proposta. “Cumprimos a nossa parte, saímos da greve e até agora não tivemos nenhuma proposta. Nada”, enfatizou o diretor do Sinditest-PR, Bernardo Pilotto.
Análise movimento estudantil
Está greve nas universidades federais será vitoriosa ser conseguir superar as divisões existentes entre os setores que compõem a Universidade: técnicos, professores, graduandos e pós-graduandos. Ainda é muito normal encontrar atitudes contrárias a unidades destes setores, algo que apenas enfraquece a greve e a capacidade de mobilização.
Alguns professores e estudantes acreditam que os técnicos simplesmente não fazem parte da Universidade, que seu trabalho é secundário. Para muitos não faz diferença se são terceirizados ou não, se tem salário digno ou não, se seus direitos são assegurados ou não. Para essas pessoas os técnicos são simplesmente empregados da Universidade, meros trabalhadores manuais.
Por outro lado, diversos técnicos olham o movimento sindical dos professores, médicos dos Hospitais Universitários e o movimento estudantil como estorvos em sua luta, assim como setores do movimento estudantil, sejam graduados ou pós-graduados.
Estas divisões estão presentes e merecem uma cuidadosa atenção em todos os momentos da greve. Afinal, todos os que militam no cotidiano sabem bem que a divisão é um obstáculo real, que, dividido, o movimento perde amplitude e potencialidade.
Essa falta de unidade entre os setores que compõem o setor público do sistema de educação superior é um problema crucial e que deve ser enfrentado. Entretanto, se olharmos a divisão entre o sistema público e privado de educação, essa situação se encontra ainda mais dividida e fragmentada, em especial diante do crescimento da privatização da educação superior no Brasil.
Uma das características do ensino superior brasileiro nas últimas várias décadas é a constante redução da participação das instituições públicas na sua oferta: em 1960, cerca de 60% das matrículas eram em instituições públicas; atualmente, elas são da ordem de 25% e com uma tendência a continuar aumentando. Nas décadas de 1960 e 1970, período marcado pelo regime militar, a participação do setor privado cresceu de 40% até pouco mais do que 60% das matrículas. Após uma década sem aumento dessa participação, a privatização voltou a crescer após 1990, período marcado pela expansão do neoliberalismo, continuando a aumentar ao longo da década seguinte. Hoje chegamos a uma taxa de privatização de 75%. O ensino superior privado no Brasil está dente os três ou quatro países com maiores taxas de privatização. Está situação só está acontecendo pela contribuição, ao longo do tempo, de todos os níveis governamentais, por meio de incentivos financeiros diretos e indiretos, por meio de legislações e por deixarem espaço livre para a atuação do setor privado.
Uma greve geral do sistema de educação no Brasil demanda a superação das contradições secundárias entre os setores que compõe a universidade e entre o sistema público e privado de ensino superior.  Temos o desafio de superar a divisão das categorias da educação (seja estudantes, técnicos administrativos e professores de universidades públicas e privadas) e recompor um movimento forte e consistente que traga unidade para as lutas sociais mais amplas – do movimento sindical de professores e técnicos com o movimento estudantil.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Badiou e a Organização Política pós-partido: um debate






"Felizmente, estamos numa fase em que podemos 
e devemos experimentar várias formas organizativas, 
com paciência e generosidade, mas com persistência e espírito crítico. 
As formas organizativas deverão ajudar e se mostrar facilitadoras
 na implementação dos objetivos principais. 
O fazer imediato deve estar profundamente vinculado
 ao que se quer no futuro".
                                                                                                                                             Gilmar Mauro 




Segundo Alain Badiou as limitações do Estado-Partido foram profundas – o que os trotskistas chamaram de burocratismo, os anarquistas de estado terrorista e os maoístas de revisionismo. Da perspectiva de tomar o poder o partido foi vitorioso enquanto na perspectiva de exercer o poder foi um fracasso. Por isso, “nós estamos numa fase que devemos estar além da questão do partido como modelo de organização. Esse modelo resolveu os problemas do século XIX, mas nós devemos resolver os problemas do XX”. 

“A forma de organização hoje deveria ser, na minha opinião, menos articulada diretamente com ou pela questão do Estado e poder. O modelo de partido centralizado tornou possível uma nova forma de poder que não tinha nada menos que o poder do Partido em si. Nós estamos agora sob o que chamo de “distancia do Estado”. Isso é o primeiro de tudo porque a questão do poder não é mais ‘imediata”: em nenhum lugar “tomar o poder” de forma insurrecional parece possível hoje. Nós deveríamos buscar uma nova forma. Meus amigos e eu na “Organização Política” chamamos isso de “política sem partido”. Essa é uma caracterização da situação completamente descritiva e negativa. Isso significa simplesmente que não queremos entrar numa forma de organização que é totalmente articulada pelo Estado. Tanto a forma insurrecional do partido como a forma eleitoral hoje são articuladas pelo Estado. Em ambos os casos o partido é subordinado a questão do poder e do Estado. Eu penso que nós deveríamos quebrar com essa subordinação e, em última instância, engajar organizações políticas (de qualquer forma que tome) no processo político que são independentes do – “subtraídas” – poder e do Estado. Diferentemente da forma de partido insurrecional, essa política de subtração não é mais imediatamente destrutiva, antagônica ou militarizada (tradução minha). 

O Comunismo se apresenta como uma tarefa radical e imediata na escala que se pode: trabalho, município, bairro, centro de estudo, etc. Não podemos esperar por uma grande revolução para começar um processo de autoeducação sobre nossas capacidades de autogestão e organização coletivas. Como disse recentemente Badiou, “no momento, o que interessa é a prática da organização política direta no seio das massas populares e de experimentar novas formas de organização” orientadas pela “idéia de uma sociedade cujo motor não seja a propriedade priva¬da, o egoísmo e a avidez”. 

Não basta permanecer fiel a hipótese comunista: é necessário localizar a realidade histórica as contradições que transformem o comunismo numa urgência prática. O papel dos comunistas continua o de ser o pedagogo das classes trabalhadoras livre aos ensinamentos de uma linha de massas onde os fracassos doem e que, ao mesmo tempo, lhe possa acrescentar um projeto de futura igualdade social.

Isso só surgirá, entretanto, se retomarmos a velha lição de organização junto à base popular, em seu dia a dia, em lutas diárias e miúdas. Somente as grandes mobilizações, o estímulo a todas as formas de luta de massa por necessidades imediatas e o trabalho de base podem alterar nossa situação diante da dinâmica da luta de classes.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

E agora PT?


Algumas perguntas clássicas embalam os debates de milhares militantes petistas desde o início dos tempos: o PT é um partido socialista ou socialdemocrata? Um partido revolucionário ou reformista? Um partido à serviço das lutas sociais ou de carreiras eleitorais?
            Nas últimas décadas, o Partido certamente vive um processo de abandono da luta pelo socialismo, se limitando a lutar contra o neoliberalismo, por um capitalismo mais democrático, humano e menos cruel. Os setores mais à esquerda do PT, entretanto, acreditam é que o PT é hoje um partido social-democrática, mas que eventualmente o PT possa se transformar num partido socialista. Aqueles que não acreditam nesta possibilidade fazem uma oposição do lado de fora do PT. Durante estes (des)caminhos da esquerda brasileira, alguns abandonam a militância, outros se acomodam e outros buscam alternativas. O cenário ainda é incerto diante da fragmentação das forças de esquerda nas diversas lutas no movimento popular, nos sindicatos e no parlamento.     
De qualquer forma, existe um sentimento generalizado que o PT deixou de articular lutas combativas de massa que pudessem incentivar a luta popular contra as oligarquias regionais, centros do poder reacionário na mídia e no judiciário, os latifundiários, milicianos, o capital imobiliário, a burocracia corrupta, os culpados históricos pelo atraso brasileiro da Ditadura a FHC, etc.
Mas e o PT na direção do governo federal ajudou a transformar esse processo ou apenas consolidou essa tendência de imobilismo perante os inimigos do povo?
Como o maior promotor da “governabilidade” é o governo dirigido pelo PT, o PT no governo está se tornando um inimigo do PT como organização política. A superação definitiva do neoliberalismo, infelizmente, parece que só pode ocorrer se for articulado por fora do Estado, e não apenas dentro dele. Sem lutas sociais de massa contra os inimigos reais da realização do projeto “democrático e popular pós-neoliberal”, o PT se encontra numa sinuca de bico, se encostando no Estado para cumprir sua política de acúmulo de forças. Para realizar esse “acúmulo de força”, o PT depende cada vez menos de algum socialismo por vir estabelecer alianças. Por isso, a questão fundamental é: a existência do PT é um obstáculo ou uma alavanca para a solução daqueles dos problemas estratégicos da passagem do pós-neoliberalismo ao socialismo, bem como para os problemas táticos cotidianos da luta de classes no Brasil?
            O PT hoje é, evidentemente, um partido socialdemocrata, no sentido clássico da palavra. Mas e os socialistas? O que resta dos socialistas se encontram numa situação de um forte questionamento ao partido hegemônico, o PT, com desenvolvimento e surgimento de alternativas reais ou imaginárias (dentro e fora do PT). A linha hegemônica do Campo Majoritário, por outro lado, sempre procurou chegar ao poder para dar contas das tarefas inconclusas da revolução democrático-burguesa e civilizar o capitalismo brasileiro. Novamente: e os socialistas nisso tudo? Ao que tudo parece, a questão de fundo continua em aberto e o desafio só cresce a cada dia para todas as organização de esquerda. A verdadeira questão hoje é: se não colocarmos em movimento a maior parte dos trabalhadores, que são assalariados urbanos das periferias, não haverá revolução socialista no Brasil.
            Que instrumento político pode cumprir esse papel histórico? É possível que, diante deste processo o reagrupamento da esquerda socialista pode ocorrer em torno do PT ou de outra organização político-partidária.
Que fazer? Qualquer instrumento político de esquerda se perguntaria: o que fazer para se tornar uma liderança política para a velha e a nova classe trabalhadora? 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Forças produtivas e a atualidade do programa democrático-popular no Brasil em debate: a visão de Wladimir Pomar




Conforme Wladimir Pomar, o Brasil faz parte de uma vertente de desenvolvimento também representada por países como Rússia, África do Sul, Coréia do Sul, Indonésia e diversos outros países da América Latina, África, Ásia e Europa. Neles predomina o modo de produção capitalista, mas suas forças produtivas ainda não alcançaram, em geral, o estágio dos países capitalistas avançados. Eles já concorrem, em certa medida, com produtos de consumo avançados. Porém, nem sempre fabricam equipamentos produtores daqueles bens de consumo. E quase nunca fabricam as máquinas capazes de produzir aqueles equipamentos, o setor I. Vivem, assim, numa grande dependência tecnológica dos países desenvolvidos, o que incide fortemente em sua competitividade no mercado internacional. Em suma, estão numa situação onde as forças produtivas ainda estão longe de esgotarem todas as possibilidades de evolução do modo de produção capitalista.

Em vários desses países, a aplicação de políticas neoliberais causou a privatização de parte considerável das empresas estatais, a oligopolização de ramos industriais inteiros, o desmonte de parcela importante dos parques industriais e o sucateamento da infra-estrutura logística. Tudo isso reduziu a capacidade de intervenção do Estado no processo de desenvolvimento e a capacidade de alavancagem industrial do país. Além disso, resquícios das políticas neoliberais têm levado os setores burgueses a só investirem em projetos industriais se tiverem garantias e financiamentos governamentais. E muitos governos vacilam ou têm dificuldade em adotar programas efetivos de industrialização, voltados tanto ao adensamento das cadeias produtivas quanto à reconstrução de instrumentos ativos que possibilitem ao Estado nacional induzir o desenvolvimento econômico e social.
A novidade dessa vertente de desenvolvimento é a presença de governos de esquerda e socialistas em alguns desses países. Na prática, esses governos foram colocados na incômoda situação de ter que estimular o desenvolvimento capitalista para fazer frente às demandas geradas pelas políticas sociais de redistribuição da renda, geração de empregos e melhoria das condições de vida.

            Partido da situação concreta brasileira, Pomar nos pergunta: o que fazer diante do caráter amorfo e colonizado da “burguesia nacional brasileira”, incapaz de formular um desenvolvimento capitalista soberanamente nacional e de levar a termo o desenvolvimento das forças produtivas? O capitalismo no Brasil já teria chegado a tal nível de desenvolvimento de suas forças produtivas, que estas não mais caberiam no molde das relações de produção existentes?

Qualquer análise concreta do desenvolvimento das forças produtivas no Brasil demonstrará que ainda somos um país industrialmente atrasado. Estamos na infância da incorporação da ciência e da tecnologia como as principais forças produtivas modernas. E nossas cadeias produtivas são esgarçadas e descontínuas, cheias de lacunas, com uma força de trabalho tecnologicamente defasada. Todos esses itens de atraso foram agravados pela estagnação dos anos finais da ditadura e pela destruição criativa dos 12 anos de preponderância neoliberal.

          Para Pomar, o setor mais avançado das forças produtivas no Brasil é paradoxalmente o agronegócio. Esse setor capitalista incorpora ciência e tecnologia a seu processo produtivo mais rapidamente que os demais, em grande parte pelo apoio da Embrapa e de outros institutos estatais de pesquisa e desenvolvimento. Ao elevar sua produtividade geral seu mercado de trabalho é composto por apenas 2 milhões de assalariados. O problema é que neste processo, por mais avançado que seja o agronegócio e sua capacidade de agregar valor à sua produção, sua taxa de geração de riquezas é muito inferior à da indústria. Nossa indústria, entretanto, possui ramos inteiros oligopolizados por corporações empresariais estrangeiras instaladas no Brasil. Mesmo ramos nacionais, como a indústria de construção pesada, possuem pouca expressividade na indústria como um todo.
            Por essas razões, para Pomar é relativamente fácil proclamar que o programa democrático-popular, como estratégia para o socialismo, teoricamente praticado pelo governo dirigido pela esquerda, estaria falido. Afinal, em especial em países periféricos, como o Brasil ainda é, a questão capitalista precisa ser encarada, em primeiro lugar, como uma necessidade para a criação da classe que melhor tem condições de enfrentá-la. Se a esquerda socialista está no governo, e ainda não tem força para transformar o Estado, ela não pode abdicar da tarefa de apresar o desenvolvimento capitalista, por um lado garantindo que esse desenvolvimento forje uma classe operária massiva e, por outro, recriando e ampliando o setor estatal da economia, rompendo os oligopólios privados, incentivando a competição internacional, aprofundando a soberania nacional, impedindo a criminalização dos movimentos sociais e estimulando a participação popular na ampliação democrática. Continua indispensável, agora no governo Dilma, sistematizar os pontos principais do programa democrático-popular a serem implantados. Exemplos desses pontos são o corte acentuado dos juros, a adoção de uma política cambial que faça frente à desvalorização artificial do dólar, a implantação de política de industrialização estatal e privada, combinada ao rompimento dos oligopólios estrangeiros e nacionais, o assentamento massivo de sem-terra para a ampliação da produção de alimentos, e uma política efetiva de democratização do capital, com o reforçamento das micro e pequenas empresas e das cooperativas e empresas solidárias.
             P
or essas e outras é que “a não ser que os indicadores sobre a conclusão da revolução burguesa sejam outros, tal conclusão ainda parece relativamente longe das terras brasileiras”.

Nessas condições, a questão do desenvolvimento capitalista ainda está colocada na ordem do dia da revolução brasileira. Nenhum governo, socialista ou não, pode se furtar dela. Mas a situação inusitada de termos um governo dirigido pelas esquerdas democrática, socialista e comunista coloca na ordem do dia a necessidade de delinear um caminho de desenvolvimento que não seja exclusivamente capitalista. Delineamento que não pode ser resolvido retirando do termo desenvolvimento seu qualificativo capitalista, ou mascarando-o com uma salutar redistribuição de renda e programas de melhoria da moradia, educação, saúde e outras condições de vida da população. Em outras palavras, no Brasil da atualidade, se os socialistas querem avançar na criação de condições para a transformação social, eles terão de desenvolver, em termos econômicos, as formas de propriedade que trazem em germe a possibilidade de sua transformação em formas socialistas. Isto é, tanto as forças produtivas capitalistas, quanto as forças produtivas estatais, cooperativas e solidárias, compreendendo que tais forças podem cooperar entre si, em determinadas circunstância, e competir e entrar em conflito, em outras. Isso, sem dúvida, inclui consórcios estatais-privados, como no caso da concessão de aeroportos, usinas hidrelétricas, linhas de transmissão, ferrovias, portos e outras obras de grande porte, para as quais é necessário mobilizar recursos financeiros consideráveis. E deveria incluir também a formação de novas estatais, para o aceleramento de setores de ponta, e a transformação de todas as estatais em indutoras de industrialização. É inconcebível, por exemplo, que as estatais elétricas, com enorme experiência no setor, não operem como indutoras e participantes na implantação de indústrias de turbinas, geradores e outros equipamentos de geração e transmissão de energia elétrica. Consórcios estatais-privados também deveriam atuar para o desenvolvimento das micros, pequenas e médias empresas capitalistas, industriais e agrícolas, na perspectiva de romper os oligopólios das grandes burguesias, estrangeiros e nacionais, reforçar a pequena e a média burguesia e, portanto, incentivar a competição entre elas. O mesmo deveria ser verdade em relação às cooperativas e empresas solidárias. Porém, em qualquer desses casos, é ilusão supor a possibilidade de escapar da competição do mercado capitalista, por um tempo razoavelmente longo.

             As medidas democrático-burguesas são estratégicas para o governo ampliar sua base social de apoio e lhe dar sustentação no tratamento das reformas políticas democráticas reclamadas pelo povo brasileiro. Como conclusão, Pomar alerta que se o governo Dilma e os partidos de esquerda que o apóiam continuarem mantendo sua postura defensiva diante dessas questões, a rigor tipicamente burguesas nacionais, dificilmente conseguirão mobilizar o povo brasileiro para a consecução de uma agenda política avançada. Será?