Jacques Lacan costumava dizer que “o inconsciente é político”. Entretanto, como o inconsciente não é Uno, como o francês bem sabia, não podemos ficar satisfeitos com essa apreensão e, consequentemente, vamos propor que, do ponto de vista marxista, “o inconsciente é econômico político”. Hoje, com o desdobramento da crise estrutural do capital, essa lição é mais importante do que nunca já que é um eficaz método contra a ideologia cínica contemporânea “do ponto de vista do capital”.
O "ponto de vista do capital" é modelagem ativamente consciente que corresponde aos interesses vitais do sistema do capital e, portanto, não é imposta. Na realidade é uma espécie de incorporação ativa de ilusões convenientes que correspondem ao ponto de vista da ordem sociometabólica do capital ao assumirem, mesmo que normalmente sem ser mencionadas, “as premissas práticas fundamentais da ordem social dada em sua totalidade combinada, como um conjunto de determinações profundamente interconectadas” (István Mészáros, Estrutura social e formas de consciência, Boitempo, 2009, p. 13 - talvez o melhor livro desse início de século XXI e que abre as portas para se compreender seriamente o processo de superação dos antagonismos existentes para além do capital).
Essas premissas práticas como a separação radical entre os meios de produção e o trabalho, a atribuição de todas as funções importantes de direção e decisão às personificações do capital, a regulação do intercâmbio entre os seres humanos e a natureza e dos indivíduos entre si com base nas mediações antagônicas do capital e a determinação e o gerenciamento da estrutura social globalmente abrangente de comando político sob a forma do Estado capitalista estabelecem os limites estruturais de viabilidade do modo de produção e distribuição historicamente produzido que, de forma alguma, poderia funcionar por nenhum prazo sem alguma delas. Consequentemente se torna inadmissível o movimento de transformação social para além dessa estrutura circunscrita nas premissas fundamentais do capital por meio de uma eternização necessária para tornar plausível a “visão anistórica do sistema pretensamente inalterável de intercâmbio sociorreprodutivo” (idem, p. 15).
Portanto, o materialismo dialético torna irredutível a economia à política e vice-versa. Uma aponta para a outra numa reciprocidade, mesmo que com lógicas diferentes. Em lacanês, não existe metalinguagem entre economia e política: o Capital e a Luta de Classes são os dois lados da mesma moeda. Quando se articula apenas um em detrimento de outro, se perde toda a análise materialista dialética.
Neste blog regurgito minhas posições sobre diferentes aspectos da realidade/fantasia social, política e econômica do mundo atual.
domingo, 6 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Superprodução de Frangos!
Sabemos que para Marx a superprodução é um sintoma de crise. Ela ocorre, resumidamente, quando a produção supera a capacidade de consumo. Desde 1970 estamos vendo o desdobramento de uma profunda crise em nível mundial de superprodução no terreno das manufaturas principalmente pela ascensão da Alemanha e do Japão no mercado mundial e, consequentemente, afunilando os mercados internacionais dominados pelos Estados Unidos. Entretanto, podemos notar o movimento de superprodução numa escala menor e mais específica.
No Brasil a novidade de um campo que experiência uma superprodução generalizada é a avicultura. Ao acelerar a produção e, consequentemente, elevar a oferta, a conseqüência está sendo um excesso produtivo de frangos. O alojamento de pintinhos que representa a oferta futura de carne nos supermercados superou neste mês 500 milhões de unidades. Número superior ao mês de fevereiro, por exemplo, que tinha 406 milhões. Como o movimento da crise não aumentou o consumo interno e a demanda externa teve uma leve baixa, a renda nos segmentos aviários está em crise tanto na cadeia de produtores como na de indústrias e exportadores. Essa oferta sem demanda fez o preço do quilo da ave viva recuasse para R$ 1,30 em São Paulo, valor que não era registrado desde abril do ano passado. Como disse um analista, “os produtores podem ter dado um passo maior do que a perna”. Não brinque! Quando existe um aumento de 5,1% em um mês, normalmente esse é o resultado e, portanto, não deveria ser surpresa para ninguém. Entretanto, esse é o movimento capitalista que, ao incrementar a produtividade acaba por produzir mais e, consequentemente, necessita vender para realizar seus gastos e continuar esse processo expansivo.
A crise de superprodução no Brasil não fica apenas com os frangos. O indicador de julho acerca da produção industrial também aumentou 2,2% na comparação com junho. Esse movimento é acompanhado junto com uma ofensiva contra o emprego. No Brasil, entre 1989 e 2005, o desemprego passou de 1,9 milhão de trabalhadores (3,0% da PEA) para 8,9 milhões (9,3% da PEA). Ainda no Brasil, desde 1998, o desemprego baseado numa categoria simplista encontra-se acima de 9%, podendo nos dar uma pequena dimensão quantitativa do processo de degradação do trabalho na periferia do capitalismo mundial. Entretanto, se tomarmos não somente o desemprego aberto (baseado na procura ativa, disponibilidade imediata para trabalhar e sem atividade superior a uma hora na semana da pesquisa), mas também os trabalhadores com atividades inferiores a 15 horas semanais e com remunerações abaixo de meio salário mínimo mensal, a taxa de desemprego chega a 27% do total da força de trabalho.
No Brasil a novidade de um campo que experiência uma superprodução generalizada é a avicultura. Ao acelerar a produção e, consequentemente, elevar a oferta, a conseqüência está sendo um excesso produtivo de frangos. O alojamento de pintinhos que representa a oferta futura de carne nos supermercados superou neste mês 500 milhões de unidades. Número superior ao mês de fevereiro, por exemplo, que tinha 406 milhões. Como o movimento da crise não aumentou o consumo interno e a demanda externa teve uma leve baixa, a renda nos segmentos aviários está em crise tanto na cadeia de produtores como na de indústrias e exportadores. Essa oferta sem demanda fez o preço do quilo da ave viva recuasse para R$ 1,30 em São Paulo, valor que não era registrado desde abril do ano passado. Como disse um analista, “os produtores podem ter dado um passo maior do que a perna”. Não brinque! Quando existe um aumento de 5,1% em um mês, normalmente esse é o resultado e, portanto, não deveria ser surpresa para ninguém. Entretanto, esse é o movimento capitalista que, ao incrementar a produtividade acaba por produzir mais e, consequentemente, necessita vender para realizar seus gastos e continuar esse processo expansivo.
A crise de superprodução no Brasil não fica apenas com os frangos. O indicador de julho acerca da produção industrial também aumentou 2,2% na comparação com junho. Esse movimento é acompanhado junto com uma ofensiva contra o emprego. No Brasil, entre 1989 e 2005, o desemprego passou de 1,9 milhão de trabalhadores (3,0% da PEA) para 8,9 milhões (9,3% da PEA). Ainda no Brasil, desde 1998, o desemprego baseado numa categoria simplista encontra-se acima de 9%, podendo nos dar uma pequena dimensão quantitativa do processo de degradação do trabalho na periferia do capitalismo mundial. Entretanto, se tomarmos não somente o desemprego aberto (baseado na procura ativa, disponibilidade imediata para trabalhar e sem atividade superior a uma hora na semana da pesquisa), mas também os trabalhadores com atividades inferiores a 15 horas semanais e com remunerações abaixo de meio salário mínimo mensal, a taxa de desemprego chega a 27% do total da força de trabalho.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
A "nova configuração do capitalismo"
Estou postando a introdução ao meu novo texto chamado "A Crise de Marx - a emergência de uma “nova configuração do capitalismo” com o aprofundamento da crise estrutural do capital". Se alguém tiver interesse nele só escrever um comentário ou mandar um e-mail sabendo que ficaria muito satisfeito que compartilha-lo para podermos discutir sobre esse assunto seminal.
A crítica ao capitalismo global retoma sua atualidade diante do aprofundamento da atual crise. Por serem os dois lados de uma mesma estrutura contraditória, capital e crise se manifestam explosivamente colocando hoje em risco a própria existência humana. Como força totalizadora, o mercado mundial vislumbrado por Marx se efetivou, subordinando aos seus imperativos existenciais de acumulação e expansão do capital as relações sociais e internacionais sob uma negação radical do trabalho social total e da natureza. Dessa forma, os limites externos ao seu desdobramento se encontram com seus limites internos, trazendo a tona sua destrutiva incapacidade de mediação recíproca entre os pólos opostos e contraditórios do capital que subordina estruturalmente o trabalho. Em sua ascendência histórica o capital se reproduzia de forma ampliada numa dialética que “destruía para produzir” suas relações com o trabalho. Com o fim de suas ascendência e a emergência da crise estrutural do capital, essa reciprocidade hierárquica se tornou uma “via de mão única” onde progressivamente o capital necessita extorquir a qualquer custo os ganhos históricos do trabalho numa permanente depressão de suas condições de vida socioeconômica e política. Emerge uma época histórica qualitativamente nova da qual, ao mesmo tempo em que presenciamos posturas cada vez mais agressivas do capital devida suas margens reduzidas de expansão sob uma utilização crescente da violência do Estado, os instrumentos e instituições de luta socialista forjadas historicamente se tornam anacrônicas forçando, dessa maneira, uma pressão objetiva por sua reestruturação radical no sentido de serem capazes de ir ao encontro com o novo desafio histórico que não apenas negue a ordem dominante, mas, ao mesmo tempo, seja capaz de exercer funções vitais positivas de controle na forma de auto-atividade e autogestão. Abre-se com a crise estrutural, portanto, a brecha histórica para a transição ao socialismo que, para Marx, depende, mas não somente, do esgotamento da “forma social” estabelecida. Entretanto, é apenas a autodeterminação radical da ação política efetiva que abre as portas da História transformando os “choques de transição”, típicos de períodos de crise, numa permanente reestruturação das mediações sociais para além do capital.
A crítica ao capitalismo global retoma sua atualidade diante do aprofundamento da atual crise. Por serem os dois lados de uma mesma estrutura contraditória, capital e crise se manifestam explosivamente colocando hoje em risco a própria existência humana. Como força totalizadora, o mercado mundial vislumbrado por Marx se efetivou, subordinando aos seus imperativos existenciais de acumulação e expansão do capital as relações sociais e internacionais sob uma negação radical do trabalho social total e da natureza. Dessa forma, os limites externos ao seu desdobramento se encontram com seus limites internos, trazendo a tona sua destrutiva incapacidade de mediação recíproca entre os pólos opostos e contraditórios do capital que subordina estruturalmente o trabalho. Em sua ascendência histórica o capital se reproduzia de forma ampliada numa dialética que “destruía para produzir” suas relações com o trabalho. Com o fim de suas ascendência e a emergência da crise estrutural do capital, essa reciprocidade hierárquica se tornou uma “via de mão única” onde progressivamente o capital necessita extorquir a qualquer custo os ganhos históricos do trabalho numa permanente depressão de suas condições de vida socioeconômica e política. Emerge uma época histórica qualitativamente nova da qual, ao mesmo tempo em que presenciamos posturas cada vez mais agressivas do capital devida suas margens reduzidas de expansão sob uma utilização crescente da violência do Estado, os instrumentos e instituições de luta socialista forjadas historicamente se tornam anacrônicas forçando, dessa maneira, uma pressão objetiva por sua reestruturação radical no sentido de serem capazes de ir ao encontro com o novo desafio histórico que não apenas negue a ordem dominante, mas, ao mesmo tempo, seja capaz de exercer funções vitais positivas de controle na forma de auto-atividade e autogestão. Abre-se com a crise estrutural, portanto, a brecha histórica para a transição ao socialismo que, para Marx, depende, mas não somente, do esgotamento da “forma social” estabelecida. Entretanto, é apenas a autodeterminação radical da ação política efetiva que abre as portas da História transformando os “choques de transição”, típicos de períodos de crise, numa permanente reestruturação das mediações sociais para além do capital.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A restauração capitalista na China
Hoje estamos presenciando uma balança de poder no sistema global que alguns chamam de "nova bipolaridade" formada por Estados Unidos e China. Os EUA detem a moeda reserva mundial com o consumo astronômico e a China com o encargo de altas taxas de crescimento e produtividade além de sustentar de forma dominante as dívidas públicas estadunidenses. Como se vê, são os dois lados de uma mesma moeda que, na falta de um lado, não conseguiria existir. O problema é: mas a China não é "socialista"? Isso não é um obstáculo para a reprodução dessa relação incestuosa sino-estadunidenses?
Por enquanto não, mas a "auto-crítica" interior do projeto socialista na China poderá ser similar a antiga URSS e seu necessário colapso que "se desmanchou no ar". Estou propondo, portanto, que poderemos ver, num curto prazo, a restauração do capitalismo na China exatamente porque as demandas internacionais já ganharam com o "socialismo de mercado". O Estado Chinês gosta de se proclamar um "socialismo com características chinesas" por mais que seu poder no mercado mundial seja algo mais parecido com um "capitalismo com características chinesas". Desde meados de 1970 diversas mudançãs rumo a uma neoliberalização chinesa radical estão sendo colocadas em prática fazendo com que, do ponto de vista do capital, a China seja um país Em-Si capitalista com crecente poder de barganha do sistema internacional.
A questão que fica é que o capitalismo Em-Si já existe na China - a pergunta que fica é: quando será a passagem "impossível" Para-Si? Não nos assustemos, portanto, se estivermos prestes a presenciar a restauração capitalista da China.
Por enquanto não, mas a "auto-crítica" interior do projeto socialista na China poderá ser similar a antiga URSS e seu necessário colapso que "se desmanchou no ar". Estou propondo, portanto, que poderemos ver, num curto prazo, a restauração do capitalismo na China exatamente porque as demandas internacionais já ganharam com o "socialismo de mercado". O Estado Chinês gosta de se proclamar um "socialismo com características chinesas" por mais que seu poder no mercado mundial seja algo mais parecido com um "capitalismo com características chinesas". Desde meados de 1970 diversas mudançãs rumo a uma neoliberalização chinesa radical estão sendo colocadas em prática fazendo com que, do ponto de vista do capital, a China seja um país Em-Si capitalista com crecente poder de barganha do sistema internacional.
A questão que fica é que o capitalismo Em-Si já existe na China - a pergunta que fica é: quando será a passagem "impossível" Para-Si? Não nos assustemos, portanto, se estivermos prestes a presenciar a restauração capitalista da China.
sábado, 15 de agosto de 2009
Imperialismo e Crise: o Plano Colômbia e o otimismo idiota
Colômbia e Estados Unidos fecham acordo sobre o uso de bases militares. O acordo permitirá que os EUA utilizem até sete bases em território colombiano, segundo o acordo, “para a luta contra o narcotráfico e o terrorismo”. Nos últimos dez anos, os EUA repassaram US$ 5,5 bilhões ao aliado sul-americano sob os marcos do Plano Colômbia. Qual é o objetivo desse plano? Uma ajuda externa para lidar com a luta interna com as FARC. Entretanto, poderiam existir outros objetivos mais obtusos e amplos para esse acordo? A verdadeira pergunta foi feita pelo Presidente Hugo Chavez: “quem os Estados Unidos e o presidente Uribe querem enganar dizendo que as bases militares na Colômbia não representam uma ameaça à Venezuela?". Como ainda salienta meu amigo Chrysantho, (http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/um-breve-resumo-do-pandemonio-por-vir.html) “o que significam portanto as bases militares ao lado da Venezuela, o primeiro dos países latino-americanos a adotar uma postura abertamente anti-capitalista e anti-imperialista após a nossa "redemocratização"? Agora que pouco importa para o capitalismo legitimar-se sob a democracia ou sob uma ditadura reacionária qualquer, só mesmo o Lula para acreditar numa mera declaração de Uribe de garantir que as bases não agirão fora do território da Colombia. (Detalhe, estamos falando de dezenas ou centenas de caças que têm condições de ir da nascente do rio Amazonas até o oceano atlântico em vinte minutos)”.
A crise global atual está acelerando e o que temos que ter em mente é que as articulações imperialistas não são as mesmas que do século XX. Não houve ainda exemplo na história em que o imperialismo não superou a força as crises periódicas anteriores. Entretanto, qual é a postura do imperialismo sob uma crise que se transformou num padrão linear de movimento sustentada num continuum depressivo, cumulativa, endêmica, mais ou menos permanente e crônico como se apresenta a crise estrutural do capital.
De qualquer forma, não podemos nos enganar com os dados econômicos positivos que são buscados todos os dias para provar que “o pior da crise já passou” numa espécie de otimismo idiota. Nos EUA, por exemplo, enquanto Barack Obama já sentencia que “a recessão está prestes a acabar”, caíram em julho as vendas dos varejistas, casas retomadas por falta de pagamentos chegaram a um patamar recorde (360 mil) e o número de pessoas que pediram o seguro-desemprego chega a 558 mil. O padrão do desemprego não se encontra mais um surtos explosivos e encontra-se num progressivo aumento que deve superar, em pouco tempo, cerca de 11% nos EUA, o país mais rico do mundo! No Brasil, as 124 companhias abertas que publicaram seus balanços do segundo trimestre tiveram ganhos que somam R$ 8,8 bilhões. Entretanto, esse resultado decorre principalmente de lucros cambiais.
A crise global atual está acelerando e o que temos que ter em mente é que as articulações imperialistas não são as mesmas que do século XX. Não houve ainda exemplo na história em que o imperialismo não superou a força as crises periódicas anteriores. Entretanto, qual é a postura do imperialismo sob uma crise que se transformou num padrão linear de movimento sustentada num continuum depressivo, cumulativa, endêmica, mais ou menos permanente e crônico como se apresenta a crise estrutural do capital.
De qualquer forma, não podemos nos enganar com os dados econômicos positivos que são buscados todos os dias para provar que “o pior da crise já passou” numa espécie de otimismo idiota. Nos EUA, por exemplo, enquanto Barack Obama já sentencia que “a recessão está prestes a acabar”, caíram em julho as vendas dos varejistas, casas retomadas por falta de pagamentos chegaram a um patamar recorde (360 mil) e o número de pessoas que pediram o seguro-desemprego chega a 558 mil. O padrão do desemprego não se encontra mais um surtos explosivos e encontra-se num progressivo aumento que deve superar, em pouco tempo, cerca de 11% nos EUA, o país mais rico do mundo! No Brasil, as 124 companhias abertas que publicaram seus balanços do segundo trimestre tiveram ganhos que somam R$ 8,8 bilhões. Entretanto, esse resultado decorre principalmente de lucros cambiais.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Vai um dinheiro aí?
Segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), o valor total dos recursos comprometidos pelos governos de 11 países desenvolvidos para salvar seus bancos da falência e restaurar o crédito chega a US$ 7 TRILHÕES. Esse dinheiro passa a soma da totalidade necessária para acabar com a fome e pobreza do mundo. Mas como sabemos que esse dinheiro não iria nunca ser gasto com essas "inconveniencias", vamos fazer uma lista com coisas inúteis que ele poderia ser gasto também:
1) Poderia levar o homem para Plutão com uma super-escada de titânio;
2) Poderia levar várias pessoas para dar uma volta ao redor da Terra;
3) Poderia fazer uma super-festa mundial (essa é para os pós-modernos!);
4) Poderia ser investido para fazer um micro-celular que esteja implantado diretamente no cérebro;
5) Poderia ser investido para a criação de NANOSOLDIERS em escala planetária para extinguir a raça humana;
6) Poderia ser colocada na poupança do Bill Gates;
Bem, todas essas opções aparentam ser ridículas porque são ridículas. A opção para injetar essa enormidade de dinheiro nos bancos não falirem foi uma necessidade estrutural e que desmascara as prioridades do sistema do capital. Os efeitos de tal processo para as necessidades humanas podem ser vistas no crescimento das pessoas que hoje passam fome e sofrem as mazelas do desemprego. Até países inteiros estão sofrendo profundamente com essas medidas que, aparentemente para alguns, ocorre sob uma normalidade absurda da vida cotidiana. A retração do PIB no segundo trimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado da Estonia, Letonia e Lituania é assustador. Respectivamente são de 16,6%, 19,6% e 22,4%. O primeiro efeito da crise é ma letargia social. E o segundo?
1) Poderia levar o homem para Plutão com uma super-escada de titânio;
2) Poderia levar várias pessoas para dar uma volta ao redor da Terra;
3) Poderia fazer uma super-festa mundial (essa é para os pós-modernos!);
4) Poderia ser investido para fazer um micro-celular que esteja implantado diretamente no cérebro;
5) Poderia ser investido para a criação de NANOSOLDIERS em escala planetária para extinguir a raça humana;
6) Poderia ser colocada na poupança do Bill Gates;
Bem, todas essas opções aparentam ser ridículas porque são ridículas. A opção para injetar essa enormidade de dinheiro nos bancos não falirem foi uma necessidade estrutural e que desmascara as prioridades do sistema do capital. Os efeitos de tal processo para as necessidades humanas podem ser vistas no crescimento das pessoas que hoje passam fome e sofrem as mazelas do desemprego. Até países inteiros estão sofrendo profundamente com essas medidas que, aparentemente para alguns, ocorre sob uma normalidade absurda da vida cotidiana. A retração do PIB no segundo trimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado da Estonia, Letonia e Lituania é assustador. Respectivamente são de 16,6%, 19,6% e 22,4%. O primeiro efeito da crise é ma letargia social. E o segundo?
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Notas sobre o desdobramento pré-craque
Vamos escutar ainda por um bom tempo que “a crise passou” e que “o pior ficou para trás”. Recentemente um empresário disse que devemos olhar para a crise com o espelho retrovisor. Nada mais engraçado! A questão não é mais: o pior da crise passou ou não? A verdadeira questão é: quando irá ser o colapso do sistema financeiro internacional? Alguns notícias internacionais já começam a cogitar isso já que a bolha estourou em todos os cantos, menos nos títulos “podres”. Além disso, o mercado de derivativos corre com cerca de US$ 650 trilhões, muitos desses facilmente “calotáveis” (para inventar uma palavra). Segundo o relatório mensal do Painel de Supervisão do Congresso, “Quando o Tarp (Programa de Socorro a Ativos Depreciados, na sigla em inglês) foi assinado, no início de outubro, o Tesouro havia decidido utilizar os recursos para seguir uma estratégia diferente: fornecer aos bancos capital para reduzir os valores de muitos de seus ativos de risco e construir reservas para o futuro. Hoje, dez meses depois, uma quantidade substancial de ativos de risco continua nos balanços dos bancos. Não obstante, a estabilidade financeira continuará sob risco, se o problema subjacente dos ativos 'tóxicos' permanecer sem solução”. Bem notado.
Como acentuava Marx, os negócios vão bem antes da catástrofe. A canalha dos economistas (não apenas no Brasil) já está buscando novas formas de legitimação dos “efeitos da crise financeira” aumentando o nível “normal” do desemprego, implementando formas flexíveis de trabalho, desregulamentando os direitos sociais do trabalho e aumentando a demanda por trabalhos terceirizados e informais.
Entretanto, clamamos que desde dia 17 de julho se iniciou a última onda financeira. A Down Jones passa de 9.000 pontos. As Bolsas de todo o mundo disparam mesmo com os índices contraditórios. No trimestre passado, o Citigroup -- um dos mais atingidos pela crise financeira -- teve um lucro de US$ 4,3 bilhões (US$ 0,49 por ação), revertendo o prejuízo de US$ 2,5 bilhões no mesmo período de 2008. O Citi recebeu US$ 45 bilhões em ajudas públicas. O JPMorgan Chase registrou um crescimento de 36% em seu lucro no segundo trimestre, atingindo US$ 2,72 bilhões (US$ 0,28 por ação), contra US$ 2 bilhões (US$ 0,53 por ação) no mesmo trimestre de 2008. O lucro do Goldman Sachs, por sua vez, teve um crescimento de 65% no segundo trimestre deste ano (encerrado no dia 26 de junho), ficando em US$ 3,44 bilhões (US$ 4,93 por ação). No mesmo trimestre de 2008, o banco havia registrado um lucro de US$ 2,05 bilhões. O Bank of America (outra instituição bancária duramente pela crise financeira) registrou um lucro de US$ 3,22 bilhões (US$ 0,33 por ação) no segundo trimestre deste ano --resultado 5,5% menor que o registrado um ano antes (lucro de US$ 3,41 bilhões, ou US$ 0,72 por ação), mas acima das expectativas dos analistas, que previam lucro de US$ 0,28 por ação.
A última antecipação do craque foi em setembro, por mais que datas sejam extremamente variáveis.
Como acentuava Marx, os negócios vão bem antes da catástrofe. A canalha dos economistas (não apenas no Brasil) já está buscando novas formas de legitimação dos “efeitos da crise financeira” aumentando o nível “normal” do desemprego, implementando formas flexíveis de trabalho, desregulamentando os direitos sociais do trabalho e aumentando a demanda por trabalhos terceirizados e informais.
Entretanto, clamamos que desde dia 17 de julho se iniciou a última onda financeira. A Down Jones passa de 9.000 pontos. As Bolsas de todo o mundo disparam mesmo com os índices contraditórios. No trimestre passado, o Citigroup -- um dos mais atingidos pela crise financeira -- teve um lucro de US$ 4,3 bilhões (US$ 0,49 por ação), revertendo o prejuízo de US$ 2,5 bilhões no mesmo período de 2008. O Citi recebeu US$ 45 bilhões em ajudas públicas. O JPMorgan Chase registrou um crescimento de 36% em seu lucro no segundo trimestre, atingindo US$ 2,72 bilhões (US$ 0,28 por ação), contra US$ 2 bilhões (US$ 0,53 por ação) no mesmo trimestre de 2008. O lucro do Goldman Sachs, por sua vez, teve um crescimento de 65% no segundo trimestre deste ano (encerrado no dia 26 de junho), ficando em US$ 3,44 bilhões (US$ 4,93 por ação). No mesmo trimestre de 2008, o banco havia registrado um lucro de US$ 2,05 bilhões. O Bank of America (outra instituição bancária duramente pela crise financeira) registrou um lucro de US$ 3,22 bilhões (US$ 0,33 por ação) no segundo trimestre deste ano --resultado 5,5% menor que o registrado um ano antes (lucro de US$ 3,41 bilhões, ou US$ 0,72 por ação), mas acima das expectativas dos analistas, que previam lucro de US$ 0,28 por ação.
A última antecipação do craque foi em setembro, por mais que datas sejam extremamente variáveis.
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